Sem combate entre super-herói e vilão, a premissa do filme é a luta pela sobrevivência humana, problemas sociais e da mente.
Você já deve ter ouvido a frase que para entendermos o presente, precisamos primeiramente conhecer o passado. Pois é, antes de sermos quem somos hoje, carregamos uma enorme bagagem com fatores que contribuem para formação do nosso caráter, valores e personalidade.
A história de Arthur Fleck, vivida pelo ator Joaquian Phoenix foi incorporada com maestria aos incômodos, traumas e sentimentos de um personagem insignificante para o governo, julgado pela sociedade, ausente de estabilidade familiar e perturbado com sua própria existência.
Antes de se tornar o Coringa, Artur que é acometido por vários transtornos mentais, tal condição leva a falta do controle de sua risada. Ele tenta ganhar a vida como palhaço em lojas e hospitais, mas não é levado a sério como profissional e fica evidente a ingrata troca em levar sua alegria, sendo transformada lágrimas, tristeza e questionamentos.
“A pior parte de ter uma doença mental é que as pessoas esperam que você se comporte como se não tivesse.”
O longa nos coloca frente à realidade com profundas questões que podem ser presenciadas atualmente, sendo uma delas o julgamento, que muitas vezes fazemos ao enxergar uma parte, mas sem conhecer o todo.
Por essas e outras, podemos dizer que a sociedade, as desigualdades de um sistema falho, a falta de respeito e amor moldaram uma pessoa agressiva, debilitada e sofrida, fazendo nitidamente dessas razões o personagem se tornar o Coringa.

“Durante toda minha vida, eu nem sabia se eu realmente existia. Mas eu existo. E as pessoas estão começando a perceber.”
O ponto principal não é de incitar a prática de crimes, mas dar voz à situação de complexidade humana em diferentes esferas, assim como a do protagonista e de muitas pessoas menosprezadas e “invisíveis” para o Estado.
Um Estado que por sua vez, beneficia alguns, mesmo que isso custe deixar de lado muitas obrigações básicas às camadas mais desprovidas de recursos. Nem sempre escolhas do certo e do errado podem ser justificados apenas por essa vertente, mas tem um forte peso e não há como negar.
No final das contas, nos fica a pergunta: quem é a real vítima do sistema?
Essa obra estreou dia 03 de outubro nos cinemas brasileiros e super recomendo! 🙂
Me conta o que achou do filme e do post, vou adorar saber sua opinião!