A diferença entre ouvir e escutar

No momento em que escrevo esse texto, ouço os sons do toque no teclado, a vizinha esfrega o seu quintal, meu cachorrinho suspira, um carro buzina na rua e de longe há um baixo ruído da sintonia de uma rádio.

Tudo o que foi mencionado, são os sons que meu aparelho auditivo recebeu passivamente, sem necessidade de atenção e interpretação, pois foram ouvidos ao meu redor.

Escutar, significa “ouvir com atenção e exige escolha, pois é algo que vai além de captar o som para compreensão através de percepções, sensações e sentimentos.   

Rubem Alves, em seu texto Escutatória diz:

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil.

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma”. Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…”

Com o mundo acelerado de constantes informações, o tempo para algumas pessoas se torna algo seleto e curto. Já a perda da prática de escutar não condiz apenas com a surdez – e sim pela falta de presença, interesse e atenção.

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